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novembro 18, 2025Uma pergunta comum para nós, psicólogos, é: o que fazer quando bate a ansiedade?
A maioria das pessoas espera uma resposta pronta, uma fórmula, um método capaz de aplacar essa sensação de mal-estar que é considerado algo que precisa ser combatido. Mas, antes de tudo, é importante compreender a diferença entre ansiedade e transtornos de ansiedade.
A ansiedade, em si, é uma emoção natural que nos constitui como humanos. Não é possível, nem desejável, eliminá-la, pois é um mecanismo adaptativo que nos prepara para situações de perigo ou desafios complexos. Sentir-se tenso e vigilante diante de algo que exige decisões importantes é absolutamente natural.
Já os transtornos de ansiedade englobam diversas condições, como o Transtorno de Ansiedade de Separação, Mutismo Seletivo, Fobia Específica, Transtorno de Ansiedade Social, Transtorno de Pânico, Agorafobia, Transtorno de Ansiedade Generalizada, Transtorno Induzido por Substâncias, Transtorno de Ansiedade Devido a Outra Condição Médica e o Transtorno de Ansiedade Não Especificado. Como podemos perceber, existem diferentes formas de manifestação e não é incomum que elas se sobreponham ou coexistam com outros transtornos.
Mas, afinal, como saber se o que sinto é uma ansiedade comum ou um transtorno?
O que diferencia uma da outra é a intensidade, a duração e o impacto no cotidiano.
Enquanto a ansiedade normal é passageira, proporcional ao evento e relacionada a algo específico e claro, os transtornos tendem a ser persistentes, descontrolados e desproporcionais aos fatores desencadeantes. Podem surgir, inclusive, sem motivo aparente, comprometendo significativamente a vida pessoal e profissional. Os sintomas físicos são frequentes: falta de ar, suor intenso, palpitações, irritabilidade e pensamentos catastróficos, que muitas vezes se confundem com sinais de outras doenças, como ataques cardíacos.
Vivemos em um mundo acelerado, constantemente provocados pelas notificações do celular, pelas cobranças do trabalho, pelas exigências sociais e pela rotina exaustiva. É como se tudo isso nos empurrasse para um espaço dominado pela ansiedade, e, muitas vezes, sentimos que não há saída. Assim, pouco a pouco, somos tragados por um ritmo que nos consome e adoecemos quase sem perceber. A dissonância entre nós e o mundo vai se ampliando.
A tentativa de controlar o que não depende de nós, o desejo de agradar a todos, de acertar sempre, de antecipar o futuro, tudo isso nos afasta da própria singularidade. Quando o esforço para dar conta de tudo se torna o centro da vida, o sujeito acaba se perdendo de si. Em alguns momentos, não conseguimos mais voltar sozinhos, porque nos distanciamos tanto que já não reconhecemos o caminho de volta.
Nessas horas, buscar ajuda profissional é essencial. Sempre reforçamos isso porque, embora muitas pessoas ofereçam apoio com boas intenções, sem a orientação adequada a situação pode se agravar.
A clínica que acreditamos é aquela que acolhe e ajuda a restaurar o movimento de quem sofre, conduzindo-o de volta ao próprio centro. Um trabalho que convida o sujeito a se apropriar da própria vida, reconhecendo o que é genuinamente seu e aprendendo a deixar de lado as exigências que pertencem ao mundo, e não à sua autenticidade.
Cada pessoa chega com uma história que carrega marcas, pausas e recomeços. E é nesse espaço de encontro que o sofrimento começa a ganhar novos contornos, quando pode ser olhado com cuidado, sem pressa, sem julgamentos. O processo terapêutico não busca apagar dores (porque isso não é possível), mas compreender o que elas revelam sobre o modo de existir de cada um.
Scripts e fórmulas não servem para um tratamento individualizado, em que os caminhos que trouxeram a pessoa até esse ponto nunca são iguais. Cada percurso é único, e é justamente essa singularidade que orienta nosso trabalho: escutar o que se mostra, acolher o que ainda não encontrou palavra e acompanhar o sujeito na construção de um modo de ser que faça sentido para ele.
08/10/2025




