
Ser Livre: A Coragem de Suportar a Angústia
novembro 18, 2025
Quando a Ansiedade Fala Alto
novembro 18, 2025Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas no mundo tenham diagnóstico de Transtorno Depressivo, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). Entre os principais sintomas estão o humor deprimido na maior parte do dia, a tristeza, o sentimento de desesperança e de vazio, a diminuição acentuada do interesse por atividades que antes proporcionavam prazer, a redução da concentração, pensamentos voltados à morbidez e alterações no sono, que podem se manifestar tanto pelo excesso quanto pela falta de descanso. Esses e outros sintomas estão descritos no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria.
Diante disso, é comum pensarmos que, ao apresentar alguns desses sintomas, já podemos afirmar se temos ou não depressão. Mas isso não é verdade. Nenhum diagnóstico é feito por profissionais qualificados apenas com base na descrição dessas ocorrências. É preciso compreender a história de vida da pessoa, o contexto em que ela está inserida e, a partir dessa escuta, chegar ao diagnóstico.
Algumas pessoas com Transtorno Depressivo passam os dias em casa, preferem o silêncio e a penumbra, afastam-se das atividades que antes faziam sentido. Outras saem, viajam, trabalham, sorriem nas fotos, e ainda assim convivem com o mesmo diagnóstico.
Percebe como a experiência humana não cabe em um único retrato?
Na clínica, olhamos para a depressão a partir da singularidade de quem a vive. Cada pessoa traz nuances próprias, histórias, intensidades, formas de sentir e reagir ao que a atravessa. O diagnóstico nos ajuda a compreender, mas não a reduzir. Ele orienta, mas não encerra. Nosso trabalho é acolher o que há de único em cada existência, porque a dor, assim como o cuidado, também precisa ter o tamanho e o ritmo de quem a sente.
Nosso cuidado é direcionado para que o sujeito, junto ao psicoterapeuta, encontre abertura e possibilidades para a dissolução do sofrimento. É um processo individualizado, sem prazos definidos, não por ausência de direção, mas por respeito à vida e ao tempo de cada um. Em uma clínica séria e ética, o percurso terapêutico não se mede em semanas ou meses, porque ninguém atravessa suas dores no mesmo ritmo. Por mais que se tenha pressa em suspender a angústia, é preciso compreender que o tempo da transformação é o tempo da pessoa.
As mudanças que ocorrem na psicoterapia acontecem à medida que as percepções se ampliam e o paciente, pouco a pouco, conquista novas formas de ser e de pensar. O imediatismo da atualidade vende a ilusão de que tudo pode ser resolvido rapidamente, mas quando se trata da vida, não é assim que acontece. Compreender as camadas mais profundas de si exige escuta, presença e paciência — e esse tempo varia conforme a maneira singular como cada pessoa elabora suas questões em análise.
Mais do que eliminar sintomas, buscamos escutá-los, reconhecendo que muitas vezes o sofrimento ultrapassa o pensamento e as ações e se manifesta também no corpo, em sinais como a fadiga e a insônia. O trabalho terapêutico se volta, então, para esses pontos de contato entre a dor e a história pessoal, permitindo que aquilo que antes gerava sofrimento possa se transformar em possibilidade. Como uma porta que se abre, o processo convida o sujeito a reencontrar novas cores na vida, novos sentidos e, assim, seguir com mais liberdade.




