
Luto: Entre a Ausência e a Possibilidade
novembro 18, 2025Um dos momentos mais dolorosos em uma relação é perceber que o esforço para mantê-la parte quase sempre de um só lado. Enquanto um se empenha para que o vínculo exista e resista, o outro parece imóvel, alheio ao movimento que a vida naturalmente exige.
Nada na vida permanece parado. O tempo não estagna, os dias não se repetem, e as pessoas também não deveriam permanecer estáticas diante do que desejam construir. Quando apenas um se move, a relação até pode continuar, mas às custas do esgotamento de quem insiste sozinho. O cansaço vem acompanhado da sensação de desvalorização, disfarçada em justificativas como “é o jeito dele” ou “é porque anda muito cansado”. Assim, um vai se colocando em lugares cada vez mais duros, tentando salvar o que já não se sustenta.
O primeiro passo é compreender que ninguém muda o outro. A insistência nessa expectativa faz com que um só carregue o peso de pensar, sentir e agir por dois. Com o tempo, o relacionamento deixa de existir na realidade e passa a ser uma construção imaginária, sustentada pela esperança.
Enxergar isso não é simples. Os olhos se acostumam à distorção, e a ilusão torna-se um abrigo perigoso. Sem corresponsabilidade, alguém acaba aprisionado na tentativa de fazer dar certo sozinho.
A psicoterapia é o espaço onde esse olhar pode se abrir. É o lugar do encontro com a própria verdade, do reconhecimento dos limites e da redescoberta do que se deseja viver. Esse processo é, muitas vezes, o que permite retomar o movimento, seja para transformar a relação existente, seja para escolher um novo caminho. Não há receitas prontas. Cada história se constrói no percurso, e é nele que se revelam as possibilidades de um amor que volte a ser verbo: ação, presença e escolha.




