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novembro 18, 2025
Ser Livre: A Coragem de Suportar a Angústia
novembro 18, 2025A escola tradicional sempre teve cara de fábrica: carteiras enfileiradas, professor em pé à frente, alunos sentados, muito conteúdo, muito concreto, pouco verde. O processo era rígido e previsível: copiar, decorar, testar e provar que decorou. Criatividade quase não tinha lugar.
O mundo mudou. Vivemos a era da informação, da tecnologia e da inteligência artificial. Um tempo que expandiu formas de comunicação, mas que também trouxe mais solidão, mais isolamento e um vazio crescente no silêncio das conexões digitais. Se antes a rigidez da escola parecia suficiente, hoje já não dá conta. E, ainda assim, a resposta de muitas instituições foi repetir o padrão: se antes a disciplina era a marca, agora a performance virou a nova face da rigidez.
Dentro de uma mesma casa, quatro pessoas podem viver em universos distintos, quase sem pontos de encontro. O pai no futebol, o filho nos games, a mãe no universo fitness, a filha nos mangás. Cada um recebendo mais do que já gosta em suas telas, mas partilhando cada vez menos no olho no olho.
A escola poderia ser o espaço privilegiado para reunir esses mundos, cultivar vínculos e exercitar a presença. Mas, em vez disso, sobrecarrega os alunos com provas semanais, avaliações constantes, tarefas em excesso — na tentativa de prender a atenção pelo acúmulo de demandas. Assim, troca-se um molde antigo por outro, igualmente rígido.
Felizmente, há escolas que já perceberam: a força da educação não está no excesso, mas na qualidade do encontro. Onde há espaço para imaginação, diálogo e relações profundas, o aprendizado floresce. Outras ainda insistem na performance como moeda de valor. Mas essa é uma vitória aparente, porque cedo ou tarde essa conta não fecha.
O desafio, então, é reconhecer que ser forte não significa ser dura, mas estar presente. A escola que quiser acompanhar o mundo não pode permanecer a mesma: precisa deixar os moldes para se tornar caminho, trocar notas por sentidos, desempenho por humanidade. Afinal, a pergunta continua ecoando: queremos escolas que apenas repitam engrenagens ou que inspirem cada aluno a criar mundos possíveis?




